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title: "SARMs: guia completa (Ostarina, LGD, RAD)"
description: "SARMs em musculação: mecanismo, principais compostos (Ostarina, LGD-4033, RAD-140, Cardarina), supressão HHG real, TPC e qualidade do produto."
lang: pt
dateModified: 2026-05-24
canonical: https://anaprotokol.com/pt/guides/sarms-guia-completa
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# SARMs: guia completa (Ostarina, LGD, RAD)

Os **SARMs** (moduladores seletivos do receptor de andrógenos) vêm sendo apresentados desde os anos 2010 como "a via oral sem efeitos colaterais" dos esteroides. A realidade é mais matizada: suprimem efetivamente o eixo HHG na maioria dos casos, sua qualidade de produto varia enormemente conforme as fontes (especialmente para o mercado brasileiro abastecido por importações informais), e seu retrospecto clínico continua curto. Esta guia coloca o que são, o que fazem, o que não têm — e como enquadrar seu uso se a decisão for por essa via.

Para o enquadramento transversal das famílias de compostos, ver a [guia SARMs vs esteroides vs peptídeos](/pt/guides/sarms-vs-esteroides-vs-peptideos). Para a decisão de TPC, a [guia TPC para SARMs](/pt/guides/tpc-para-sarms-guia).

## Mecanismo: a seletividade tecidual na prática

Um SARM se liga ao receptor androgênico — o mesmo receptor alvo da testosterona e dos esteroides anabolizantes. Sua particularidade está em uma afinidade diferencial conforme os tecidos: alta no músculo e no osso, baixa na pele, no cabelo ou na próstata [2]. No papel, encontra-se o efeito anabólico muscular sem a parte dos efeitos colaterais androgênicos clássicos. Na prática, a seletividade nunca é total, e a dose muda o equilíbrio — em dose alta, volta uma parte dos efeitos que se queria evitar.

A razão anabólica/androgênica mencionada costuma ser muito favorável: 90/1 para o [RAD-140](/pt/molecule/rad140), 100/10 para o [LGD-4033](/pt/molecule/lgd-4033), 100/33 para a [Ostarina](/pt/molecule/ostarine) (a comparar com o 100/100 da testosterona). Isso não significa zero efeito androgênico, mas um desequilíbrio marcado a favor da ação anabólica muscular — menos acne, menos efeito sobre o cabelo para a maioria dos usuários.

> Essa seletividade não elimina a supressão do eixo HHG [1]. A ocupação do receptor androgênico por um SARM envia o mesmo sinal de retroalimentação negativa ao hipotálamo que uma testosterona exógena — a produção endógena se reduz ou se interrompe. Este é o erro mais frequente sobre os SARMs em fóruns brasileiros como Marombrasil ou Hipertrofia.org: acreditar que "sem aromatização" = "sem supressão".

## Os principais compostos: perfis e faixas

| Composto | Dosagem homem | Meia-vida | Supressão HHG | Perfil |
| --- | --- | --- | --- | --- |
| Ostarina (MK-2866) | 10–30 mg/dia | 24 h | Moderada (leve < 20 mg) | Definição, recomposição, recuperação |
| LGD-4033 (Ligandrol) | 5–10 mg/dia | 24–36 h | Forte | Volume seco |
| RAD-140 (Testolona) | 5–15 mg/dia | 15–20 h | Forte | Força, massa seca, agressividade |
| MK-677 (secretagogo, não é um SARM) | 10–25 mg/dia | 24 h | Nula (sem ação HHG) | Recuperação, sono, GH/IGF-1 |
| Cardarina (PPARδ, não é um SARM) | 10–20 mg/dia | 16–24 h | Nula | Resistência, lipólise |

### Ostarina: a porta de entrada

A [Ostarina](/pt/molecule/ostarine) é o SARM mais estudado e mais bem tolerado. Faixa típica: 10 a 30 mg/dia, em uma única tomada. Supressão leve abaixo de 20 mg/dia e na maioria dos usuários, suficiente para recomposição corporal e preservação muscular em definição. Uma mini-TPC (Tamoxifeno 20 mg/dia por 4 semanas) costuma bastar. Ciclos de 8 a 12 semanas.

### LGD-4033: o mais anabólico

O [LGD-4033](/pt/molecule/lgd-4033) (Ligandrol) é o mais anabólico dos SARMs disponíveis: os ganhos a 5–10 mg/dia são comparáveis a uma dose baixa de testosterona, mas a **supressão HHG é marcada** — frequentemente no nível de um ciclo leve [3]. TPC completa recomendada (Tamoxifeno 40/40/20/20 mg). Ciclos de 8 a 10 semanas.

### RAD-140: o mais potente

O [RAD-140](/pt/molecule/rad140) (Testolona) é considerado o mais potente dos SARMs. Excelente razão anabólica/androgênica no papel (90/1), ganhos de força notáveis. Dose típica 5 a 15 mg/dia. Supressão HHG significativa, às vezes agressividade percebida, possíveis sinais capilares em doses altas. TPC completa obrigatória. Ciclos curtos (6 a 8 semanas).

### MK-677 e Cardarina: duas moléculas à parte

O [MK-677 (Ibutamoreno)](/pt/molecule/mk677) não é um SARM: é um secretagogo da hormona de crescimento. Não age no receptor androgênico e não suprime o HHG. Meia-vida 24 h, tomada única à noite. Efeitos esperados em 4 a 12 semanas: recuperação, qualidade do sono, ligeiro aumento do IGF-1, aumento do apetite. Vigilância de glicemia/HbA1c para uso prolongado (possível resistência à insulina).

A [Cardarina (GW-501516)](/pt/molecule/cardarine) também não é um SARM: é um agonista PPARδ que age sobre o metabolismo e a resistência. Lipólise marcada, resistência cardiovascular melhorada, ligeiro aumento do HDL. Dose 10 a 20 mg/dia. Sem supressão HHG.

> A Cardarina está associada a um sinal carcinogênico em estudos animais (ratos) em doses muito altas e por períodos prolongados [6]. A transposição para humanos continua incerta, mas o desenvolvimento clínico do composto foi interrompido por essa razão. Os usos comunitários são feitos em ciclos curtos — menos de 12 semanas —, não em contínuo, e essa é a precaução mínima a respeitar.

## Supressão HHG: o que os exames mostram realmente

A supressão do eixo HHG sob SARMs é documentada por vários estudos clínicos curtos e pelos exames de sangue pós-ciclo dos usuários [1]. Três ordens de magnitude se destacam.

- **Ostarina 10–20 mg por 8 semanas.** Supressão leve a moderada na maioria dos usuários; LH e FSH tipicamente em 30–60 % do baseline ao final do ciclo, testosterona total reduzida mas frequentemente dentro da faixa baixa normal. Recuperação rápida (4 a 6 semanas) com mini-TPC.
- **LGD-4033 5–10 mg por 8 semanas.** Supressão marcada comparável à de um ciclo de testosterona em dose contida. LH/FSH zerados ao final do ciclo, testosterona total muito baixa. TPC completa indispensável.
- **RAD-140 10–15 mg por 6–8 semanas.** Supressão similar à do LGD. Soma-se a agressividade percebida e um leve aumento possível das transaminases (TGO/TGP) em alguns usuários.

Sem exames antes/depois, essas ordens de magnitude continuam sendo médias: a resposta individual varia. A [guia de marcadores hormonais](/pt/guides/marcadores-hormonais-em-ciclo) detalha a leitura de uma LH, uma FSH e uma testosterona pós-SARMs.

## Qualidade do produto: o calcanhar de Aquiles

O mercado dos SARMs é menos regulado que o dos esteroides de laboratórios underground históricos. As análises independentes (escassas mas existentes: laboratórios de toxicologia associativos, estudos publicados em 2017 e 2020 sobre produtos comprados on-line) encontraram regularmente produtos subdosados, que continham pró-hormônios não declarados (que aromatizam e são hepatotóxicos) ou simples placebos. Quando o marketing promete "SARM 99 % puro, certificado de terceiro", a origem do certificado precisa poder ser verificada. No Brasil, a importação via fornecedores informais (grupos do Telegram, vendedores de Instagram) amplifica esse risco — muito poucos têm laudo de análise verificável.

- Um ciclo de SARMs sem exames de sangue (LH/FSH/testosterona antes e depois) não diz se o produto era ativo ou não — e toda conclusão sobre "o que ele fez" é subjetiva.
- Um certificado de análise verificável vem de um laboratório identificado, com número de lote reprodutível, e o vendedor autoriza a contraperícia.
- Um subdosagem explica um ciclo "decepcionante" com mais frequência do que os usuários pensam.
- Uma substituição por pró-hormônio explica um ciclo "muito mais duro do que o previsto" (ginecomastia sob Ostarina, por exemplo).

> A regra prática: fazer um baseline completo (LH, FSH, testosterona total e livre, estradiol, hematócrito, lipídios, TGP) logo antes do ciclo, e o mesmo 4 a 6 semanas depois do final da TPC. Sem esses dois pontos de medida, literalmente não se sabe o que o ciclo fez.

## TPC e estrutura do ciclo

A TPC segue a mesma lógica que para um ciclo de esteroides: restaurar a produção endógena de testosterona o mais rápido e o mais completamente possível após o fim do composto. O detalhe dos protocolos está na [guia TPC para SARMs](/pt/guides/tpc-para-sarms-guia). Em resumo:

- **Ostarina em dose contida.** Mini-TPC com [Tamoxifeno (Nolvadex)](/pt/molecule/nolvadex) 20 mg/dia por 4 semanas, se a supressão percebida ou medida for leve.
- **LGD-4033, RAD-140 ou Ostarina em dose alta.** TPC completa Tamoxifeno 40/40/20/20 mg (4 semanas), às vezes Clomifeno (Indux) 50/50/25/25 mg em caso de supressão severa medida. Ver a [guia Tamoxifeno vs Clomifeno](/pt/guides/tamoxifeno-vs-clomifeno-tpc).
- **MK-677, Cardarina, secretagogos de GH.** Sem TPC necessária — sem supressão HHG.

O cálculo do prazo entre a última tomada e o início da TPC é mais simples que com os ésteres longos: como as meias-vidas dos SARMs são curtas (15 a 36 h), uma TPC iniciada 1 a 3 dias após a última tomada é coerente. A [guia quando iniciar a TPC](/pt/guides/quando-iniciar-tpc-apos-ciclo) dá a lógica geral.

## Expectativas realistas: o que os SARMs fazem (e não fazem)

O que os SARMs fazem bem: recomposição corporal limpa (Ostarina), preservação muscular em definição, ganhos de força notáveis (RAD-140), ganho de massa seca moderado (LGD-4033), recuperação melhorada (MK-677), resistência (Cardarina). Em um usuário já treinado, falamos geralmente de ganhos de 2 a 5 kg de massa muscular em um ciclo de 8 a 10 semanas de LGD ou RAD — muito abaixo de um ciclo de testosterona em dose eficaz, mas sem injeção.

O que os SARMs não fazem: não substituem um ciclo de esteroides para usuários que buscam massa máxima; não são "sem supressão"; não dispensam o monitoramento sanguíneo; não têm o retrospecto clínico a longo prazo dos esteroides. A segurança ao longo de 10, 20 ou 30 anos de uso repetido continua desconhecida.

Para quem começa com SARMs em vez de esteroides, a [guia primeiro ciclo de SARMs](/pt/guides/primeiro-ciclo-de-sarms) desenvolve o procedimento passo a passo.

## FAQ

### Os SARMs são detectáveis nos controles antidoping?

Sim. Todos os SARMs (Ostarina, LGD-4033, RAD-140) figuram na lista de substâncias proibidas da Agência Mundial Antidoping desde 2008, na categoria "outros agentes anabólicos". As janelas de detecção variam (Ostarina 4 semanas, LGD-4033 3 semanas, RAD-140 2 semanas) mas são reais. A Cardarina, o MK-677 e o CJC-1295 também são proibidos em competição. No Brasil, atletas testados pela ABCD (Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem) ou pela WADA estão expostos a essas janelas.

### Preciso de um inibidor de aromatase com os SARMs?

Não — os SARMs não aromatizam. Não é necessário um antiaromatase durante o ciclo. Quando aparecem sinais estrogênicos apesar de tudo (sensibilidade nos mamilos sob Ostarina, por exemplo), suspeitar primeiro da qualidade do produto (substituição por pró-hormônio) antes que de qualquer outro mecanismo. Um exame de estradiol resolve a dúvida.

### Posso empilhar vários SARMs entre si?

Tecnicamente sim, e existem vários stacks clássicos (Ostarina + Cardarina para definição; LGD + MK-677 para volume; RAD + Cardarina para recomposição). Na prática, empilhar multiplica as variáveis e as supressões: um stack LGD + RAD em dose plena dá uma supressão HHG total comparável a um ciclo de EAA. A regra continua sendo a mesma que com os esteroides: começar por um único composto, medir o que ele faz, e depois considerar ou não adicionar algo.
